Ajustou os espelhos e apertou os cintos-de-segurança em 5. Regulou volante, espelhos, assento em 15. Deu a partida e ligou os faróis em 2.
Seta pra direita, deu um peep pelo retrovisor e saiu. Primeira, segunda. Seta pra direita e dobrou a esquina a 30. Acelerou, jogou a terceira e seguiu até a próxima entrada.
Parou no primeiro farol, furou o segundo. Atravessou a Santo Amaro e pegou a Ibirapuera. Permeou toda a avenida, acelerou após o farol do "parque de bikes" (nunca lembra o nome do parque e sempre passa muito rápido por lá pra reparar).
Subiu o elevado, curva pra direita e acessa a 23. Seta pra esquerda e já está na pista do meio a 80. Cái pra esquerda, passa um Corsinha e volta pro meio.
Atinge o túnel sob a Santa Ifigênia e desce a tábua. 90. 95. 100.110.120.13... 140... ainda na quarta, segue sem trepidar. Desacelera ao atingir a Prestes Maia.
Pega o acesso à Marginal e se joga de quinta na estrada.
O vento começa a soar entre a lataria.
O relógio é ridículo. As horas parecem estúpidas frente àquela velocidade. Os segundos não lhe dizem nada. Absolutamente NADA.
Borracha sobre asfalto e as cores do óleo e do piche na avenida. Incapaz de sentir a curva e o descolamento. Gira, tomba, vira, bate, capota.
Silêncio estampido. O som abafado dos estilhaços e vidro. O mundo de ponta cabeça.
Se desfaz em mil pedaços, rodopiando pelo espaço. Alternando entre o sol, as nuvens e o asfalto.
Lembra das luzes da cidade, dos faróis e do vento. Sente a pulsação, o movimento e o pavimento.
Velocidade. Liberdade. Crashing cars. Fire and fuel. Smoke and clouds. Just looking at the grey sky.

Ouvindo "60 MPH" by New Order


Leia este blog no seu celular